“AINDA ESTOU AQUI”:
MEMÓRIA E RESISTÊNCIA NA ADAPTAÇÃO LITERÁRIA DE MARCELO RUBENS PAIVA PARA O CINEMA
Resumo
O cinema brasileiro, especialmente a partir do Cinema Novo, consolidou-se como espaço de denúncia e resistência diante das violências históricas. Contudo, ainda são escassos os estudos que articulam esse legado com as adaptações contemporâneas de obras literárias sobre a ditadura militar. Este artigo analisa a adaptação cinematográfica de Ainda Estou Aqui (2015), de Marcelo Rubens Paiva, dirigida por Walter Salles em 2024, investigando como a obra reelabora a memória histórica e coletiva. A pesquisa adotou metodologia bibliográfica e análise fílmico-literária, mobilizando autores como Glauber Rocha, Linda Hutcheon, Jeanne Marie Gagnebin e Paul Ricoeur. Os resultados indicam que, ao deslocar a narrativa para Eunice Paiva, o filme ressignifica o testemunho familiar em gesto político e coletivo, reafirmando a memória como resistência. Conclui-se que a produção estabelece diálogos com o Cinema Novo ao assumir uma estética crítica, e evidencia o papel do cinema contemporâneo na elaboração simbólica de traumas históricos e no enfrentamento de tendências negacionistas.